sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Feliz hoje e sempre

São os votos do Elllas&OsMonstros pra esse fim de ano, fim de semana ou eternos começos.


quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

...condicionada a cair na teia, a lembrança é devorada por um aracnodesejo recriado do que já não é nem desejo...




Só me faltava perceber em você o sumiço das coisas que eu admirava.
Encarar o fato de que a força não era de nada.
E lá se foram as últimas gotas, se esvaziava a última garrafa. Em mim, tudo de vidro se quebrava.
E perceber que eu não fui a causa, mas a única salvação para uma alma cansada.
Que foram em vão todas as noites mal-dormidas e as palavras ditas por não-ditas. Malditas no silêncio das estrelas.
Mas se isso se conflitar com remorso ou raiva, não me subestime. É que as horas já se confundiram no fundo de nossas razões.
Eu não deixo que o antigo sonho vire pesadelo ao teu lado, porque não durmo mais nos teus braços.
Será que eu continuo tentando arrumar um jeito de deixar você passar por mim como a luz, mas como tirar de trás de mim esta sombra, como deixar o ciclo infinito de todos os dias ser infinito sem sentir o vazio que sobra.
Isso não é uma pergunta e, de longe, não cabe numa resposta.
Aonde vão levar meus devaneios quando eu der as costas? Eu temo pela poesia que precisa ir embora.

E se já não era isso que eu vim dizer, me perdoe, mas quando começo, esse vendaval me invade e viola minha sanidade.
Mas eu não procuro mais as suas respostas, hoje estou admirada com as minhas convicções, de gente que já não sente nada e mente pelo bem das composições. É um sentido de procurar abrigo numa memória amarelada.
E sem qualquer sentido, finjo que já não sinto aquilo que minto. Amar o ser que já não é amado. Amar a lembrança do amor no ser que um dia foi.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Lançamento do livro 'O Diário do Camaleão', de Marcelo Mourão

























A SAGUMANA NO SOLO DE GAIA
(Marcelo Mourão)


o bichumano subiu no telhado.
tem medo de cobra e mordida de rato,
da ave agourenta que no céu passa
e até de si mesmo: réu e comparsa,
vítimalgoz de sua própria desgraça.

o cegumano rasgou seus contratos.
não enxerga leis, regras, cláusulas.
fez sua fome não caber mais no prato.
misturou deus e darwin numa lógica crápula:
o paraíso é dos belos e fortes de cada raça.

o ser-engano construiu seu reinado.
inventou a guerra, sujou mares e serras,
prostituiu todos os seus bens sagrados.
seu destino é devorar pedras e pérolas,
sem notar a diferença que há entre elas.



Marcelo Mourão está lançando HOJE (quarta-feira) seu livro 'O Diário do Camaleão', no sarau POLEM, das 19h às 22h. (Quiosque Estrela de Luz, em frente ao Restaurante La Fiorentina, Praia do Leme - Rio de Janeiro.) Participação do grupo Elllas&Os Monstros, e microfone aberto a quem se dispor.



quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Morrer, mas não matar.



Seria cruel ou seria verdade pensar que o ser-humano não se importa com os seres que não podem se comunicar claramente? Por isso matam plantas e insetos e peixes e qualquer outro ser que não pareça ter consciência sobre si e sobre o mundo. Sem pensar que as plantas, insetos e peixes também brigam pela sua sobrevivência e isso não seria ter consciência? Ter instinto é estar vivo.
Pasmo quando vejo essa nova onda de apoio à eutanásia, como se matar fosse comum e a vida fosse algo que pudesse ser definido por palavras e gestos, e uma pessoa que não tivesse capacidade de se mover ou se comunicar, fosse uma pessoa morta. A incapacidade de se mover ou se comunicar não quer dizer que a pessoa não pense ou não sinta. Que crueldade uma mãe assistir o filho a que deu a vida, pedir ao médico para desligar os aparelhos, sem poder dizer que ela ainda está ali, sem conseguir optar por continuar viva.
Creio que todos nós temos um processo evolutivo. E mesmo quando uma pessoa está em coma, com poucas esperanças clínicas de voltar, ninguém tem o direito de cortar este grilhão, pois se seu cérebro ainda funciona, ela está passando pela sua jornada evolutiva, talvez em outro plano.
Desligar as máquinas é deixar o paciente morrer de fome, de inanição, de falta de humanidade.
Não julgo que adotou estes métodos no passado, pois o passado não está apto a ser mudado mas, ao se deparar com esta situação no futuro, pense duas vezes, pense três mil vezes, antes de desligar os aparelhos do seu pai, sua mãe ou seu filho. O que lhe dá o direito de matar alguém que tantas vezes se privou do que queria só para estar ao seu lado, sem pedir nada em troca? Sofrer é parte da vida, sentir dor é parte da vida. Não mate o ser humano que sofre, estenda a sua mão.
Nenhuma morte é bonita. A morte de uma floresta, a morte de um homem ou a morte de um sentimento. Não existem fênixes que renascem tão logo morrem, leva tempo para renascer algo bom de suas cinzas. A morte é uma dor, nunca será diferente. Mas nunca inventaram um veneno definitivo contra a morte, por um bom motivo. Morrer é o fechamento de um ciclo. Ciclos incompletos são ciclos quebrados, uma vida quebrada não pode ser colada novamente.