quarta-feira, 22 de julho de 2009

Ponto de Confusão

Você já teve conversas imaginárias de sair da realidade por alguns instantes? Já criou seres, lugares, situações onde tinha que resolver determinado problema(às vezes nem tão determinado assim), esclarecer alguma coisa ou simplesmente refletir? Bem vindo ao clube. Nós não somos loucos, somos só pessoas que criam estratégias para não ficar atormentado com tanta coisa na cabeça e por isso criamos um espaço, digamos, 'fora da Matrix', para resolver estas questões.
Segunda-feira foi dia de Biodanza e eu, como sempre, saí de lá com algumas questões.
Hoje estava no gtalk e contei para dois amigos mais íntimos, que fazem Biodanza comigo, o que havia se passado e, de repente, me vi no feedback da semana que vem conversando com o grupo sobre o que aconteceu. Divaguei tanto que cheguei à uma conclusão. De repente um baque de volta pra realidade. Me dei conta que estava em outro lugar, em outro tempo e quando se quebra esse elo, eu volto ao que estava fazendo antes disso. Mas sabe o que é ficar completamente ausente para todas as coisas ao seu redor, como num sonho?
Bem, e nessa ausência de mim(que é uma viagem pra dentro), eu estava falando para a turma que fiquei reconsiderando o feedback da semana anterior, onde uma amiga tinha falado que tinha dificuldade em 'qualificar a despedida'(isso quer dizer, em uma vivência de encontros e despedidas, você se encontrar com uma pessoa do grupo, abraçar por inteiro, com entrega e se despedir com firmeza/gratidão/desapego, virar as costas e procurar outro abraço, pois há outros braços à sua espera), pois sempre lhe vinha à cabeça que "nunca mais vou ter este abraço".
E, mantendo a ordem dos acontecimentos, durante a aula, depois de uma profunda vivência de massagem no companheiro, levantamos juntos e tínhamos que nos despedir e procurar outros abraços. Não foi nada fácil. Confesso que fiquei mal. Melhor jeito de explicar é que saí daquele abraço de coração partido. Não foi um desapego, foi um afastamento. Saí da Bio super yin e assim estou até agora. A diferença é que agora estou começando a entender o porquê.
Quando fui pensar, no dia seguinte, sobre a frase da amiga no feedback, me liguei que em todos os meus antigos relacionamentos, fossem amorosos ou amizades, eu usava isso para me prender às pessoas das quais devia me afastar. Não eram as pessoas que me prendiam, mas o pensamento de que se elas fossem embora, "nunca mais teria aquele abraço", "nunca mais teria aquela companhia", "nunca mais aquela alegria", "nunca mais, nunca mais". E outro dia mesmo eu me peguei pensando que quando o meu relacionamento atual terminasse, eu "dificilmente encontraria alguém tão legal, que me completasse tanto". Acho que isso é normal, quem, em sã consciência apaixonada, nunca se pegou repetindo esta frase? Mas só que eu não quero mais essa dependência pra mim. Todos os relacionamentos na minha vida foram baseados na dependência. Eu não conseguia entender o porquê. Será que eu era uma menina carente? (detesto essa palavra!) Ou imatura? É claro, quando você não sabe em quem jogar a culpa, ela recai sobre a criação. Mais especificamente: a culpa é sempre dos pais.
Sou filha única, minha mãe me criou me superprotegendo, ela tem noção disso. Ainda quando eu era criança, alguns acontecimentos também ajudaram para que ela sempre redobrasse a atenção em mim. Assim, só fui ter liberdade mesmo depois dos 18 anos. Minha juventude foi atrasada. Não fiz nenhuma besteira na adolescência que me arrependesse pro resto da vida. Não tomei porre. Não fugi de casa. Não ia àquelas festas nos sítios que sempre dava alguma M*, rs...Acho que ela me criou tão dependente dela que qualquer problema eu já nem pensava, corria pra ela. E durante a adolescência, esse espírito de dependência foi automaticamente transferido para a relação com os amigos, paqueras e namorados. Tanto que minhas amigas podem provar (e os cadernos antigos também não deixam mentir): todos meus relacionamentos foram muito intensos e sempre coloquei uma espectativa muito maior nas pessoas do que elas estavam dispostas a me oferecer.
Neste momento estou vivendo um tipo de relacionamento onde isso não cabe e volta e meia me pego brigando com meus pensamentos. Tem uma parte de mim vestida de passado que se agarra em tudo que já vivi e que me foi ensinado e outra parte que é feita de invisível que sabe que isso é besteira e quer se livrar desse peso desnecessário. Hoje em dia eu quero algo diferente pra mim. Não quero mais essa dependência, tenho que jogar fora. Eu estava indo muito bem até o último feedback. Mas comecei a pensar nisso e ver onde estavam as raízes e tudo virou meio penumbra.
Estou completamente dentro de mim, me sentindo muito cansada, no casulo. Mas é positivo estar no casulo, significa que dentro de pouco tempo virarei borboleta.
Vê como é importante essa capacidade de ter conversas imaginárias? Eu sempre digo: Eu não falo sozinha, eu sempre estou falando com outra pessoa que, por acaso, não está lá naquele momento.
Doida, eu? Imagina! ...apenas auto-suficiente.

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